Artistas selecionados | Residências | Lavadouro Público de Carnide

O Teatro do Silêncio realiza um ciclo de duas residências de criação para artistas que habitam ou cruzam o espaço Ibero-americano e que tenham um projecto embrionário de investigação e de pesquisa artísticas. As residências são abertas a todas as áreas, privilegiando-se os trabalhos site specific, performance, instalação e arte urbana.

Para além da realização de uma apresentação pública do seu trabalho, os artistas são ainda convidados a criarem uma actividade de serviço educativo aberta à comunidade local.

#1. JONAS VAN HOLANDA
(Foto: Joana Linda)

Período de residência: 1 de Maio a 15 de Julho de 2017

Título de projecto: Love To A Monster

Sobre o projecto: a posição de intermediário, concedida ao monstro marinho nas representações coloniais, faz referência à histeria normativa e binária ainda contemporânea. Esse dualismo foi sendo tecido a par da demonização dos corpos pós-identitários. Ao convocar esses intermediários, falo de corpos trans*; referidos como seres entre meios entre os legítimos: o masculino e feminino. Encontro vestígios dessa legitimidade na história do colonialismo sul-americano e faço paralelos ao teratismo (aberração) recorrente nos mapas e nas crónicas do tempo colonial. Carrego esses resíduos num objeto-correspondência a partir do Ipupiara (do tupi: monstro marinho primeira representação desse monstro no Brasil, pelo cronista Pero de Magalhães Gândavo); para validar um território inócuo e subverter a noção de monstro.

Jonas Van Holanda (Fortaleza, Ceará, Brasil): é artista, pesquisador de interferências e trânsitos poéticos além de alquimista vegetal. O seu trabalho é baseado em subverter relações semânticas e criar novas identidades para os organismos minerais, vegetais e animais. Estudou Artes Visuais na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Entre suas exposições mais recentes destacam: 5ª edição do Prêmio Energias na Arte no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo), Lastro em Campo no SESC Consolação (São Paulo), Paralaxe na Caixa Preta (Rio de Janeiro), Transburger na  Casa de Artes de Paquetá (Rio de Janeiro) com o coletivo Transburger e Sandwich Generation no Capacete (Rio de Janeiro). Publicou “duas luas em um céu vermelho” pela editora Rébus (Rio de Janeiro). Trabalhou na 32ª Bienal de São Paulo na obra-restaurante Restauro de Jorge Menna Barreto. Esteve recentemente em residência na Casa Matony, em La Paz, Bolívia, com a curadoria de Beatriz Lemos (LASTRO) e no Centro de Investigação Artística HANGAR (A residência foi realizada em conjunto com o Instituto Tomie Ohtake (Brasil), com patrocínio do Instituto EDP, sendo o artista vencedor da 5ª edição do Prêmio Energias na Arte, 2016). Atualmente vive e trabalha em Lisboa.

#2. MAÍRA ZENUN
(Foto: Gilby)

Período de residência: 15 de Agosto a 31 de Outubro de 2017

Título de Projecto: A Terra Tremeu Dentro De Mim E Eu Fiquei Sem Casa: Descendências Perdidas, Fronteiras Partidas E Alguns Riscados

Sobre o projecto: Projecto de pesquisa e registo de grafites e pichações inscritas nas paredes de Lisboa, e que advenham de produção artística e política urbana feita pela população negra portuguesa e imigrante, que habita a cidade. Desta investigação, proceder em uma performance sobre o corpo negro [feminino] em relação - e em atividade - com a experiência de ser e de estar (em) Lisboa, pensando como essas marcas da cidade afetam esses corpos negros, inclusive o meu.

Maíra Zenun (Rio de Janeiro, Brasil, 1982): Mulher negra brasileira e em trânsito. Nascida na cidade do Rio de Janeiro, bairro de Botafogo, no dia 29 de outubro de 1982, às nove horas da manhã. Atualmente mora em Lisboa. Possui formação continuada em Ciências Sociais, Artes Fílmicas e Fotográficas – através da articulação de estratégias somadas e concomitantes de atuação e escrita. Poeta de infância e persistência, atua como estudante, educadora, artista visual, produtora cultural e videografista - com ênfase em fotografia, edição e montagem de imagens. Na base dos afetos, e em diálogo com as suas próprias especialidades artísticas e intelectuais, mantém trabalho autoral em imagens [estáticas e em movimento], performances e textos poéticos; expostos em coleções privadas, galerias de arte e publicações [impressas e virtuais]. Possui produção acadêmica recente sobre cinema negro africano e brasileiro. É autora do blog flores de maio.

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As residências artísticas estão inseridas na A Sul - Plataforma de criação para artistas que habitam ou cruzam o espaço Ibero-americano, direccionada para a pesquisa, a investigação e a experimentação artísticas. A Sul pretende ser ainda um lugar de encontro e de reflexão entre artistas, e entre artistas e a cidade de Lisboa.

Coordenação: Maria Gil
Acompanhamento: Maria Gil, Marta Lança e Sara Anjo
Produção: Teatro do Silêncio 2017
Parceria: Projecto Pulsar da Junta de Freguesia de Carnide 2017
Projecto apoiado no âmbito do RAAML - Regulamento de Atribuição de apoios no Município de Lisboa e inserido na Passado e Presente - Lisboa Capital Ibero-americana de Cultura 2017

+INFO: teatrodosilencio@gmail.com | + 351 91 463 26 75 – Teatro do Silêncio (Maria Gil)

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